Depois de passar muito tempo correndo atrás do meu próprio rabo, talvez eu tenha percebido, finalmente, como ter uma relação mais saudável comigo mesma, e consequentemente com os outros ao meu redor.
Vou ser bem honesta, depois do mês de maio de 2017, as coisas desandaram na minha vida num nível que eu nunca vi antes, tentei ao máximo lidar com tudo com calma, sempre conversando com alguém e tentando me fazer bem. Eu realmente tentei muito, eu tinha colocado na minha cabeça que nunca mais iria voltar pro fundo do poço que eu já estive, porque eu sabia que aquilo era extremamente doentio (mesmo). Num piscar de olhos, eu me vi caindo dentro deste poço, fingir que "tudo estava bem" já não funcionava mais. Era como ver meu próprio funeral sendo executado em câmera lenta.
Em outubro de 2017 eu acabei entrando novamente em um estado depressivo profundo em que eu tinha que me controlar a todo instante para não acabar com a minha própria vida num impulso. Assim que consegui, voltei a fazer terapia (com outra psicóloga) e fui determinada a contar, finalmente, todo esses sentimentos que me assombravam durante todos esses anos. Já na segunda consulta ela me recomendou ir procurar um psiquiatra e eu já esperava isso, aliás, coloquei toda minha esperança nos remédios.
Comecei a tomar e tentei dar os primeiros passos para a minha recuperação: acompanhamento profissional e apoio de pessoas importantes - eu me abri bastante com meus amigos nessa época, eu sabia que eu não tinha tempo pra vergonha, eu realmente precisava de ajuda e amigos são pra isso, né? Honestamente, parece que essa parte da minha vida passou como um borrão, eu já conseguia passar um dia sem chorar e sem pensar em maneiras de me matar, mas ainda não tinha nada que me fizesse querer estar viva.
O tempo foi passando e minha psicóloga até me disse que eu estava me saindo muito bem; até que chegou o tempo limite da terapia e tive que parar. Durante todo esse tempo até hoje, eu tive algumas crises e elas me faziam me sentir como se nada valesse a pena e que eu estava andando em círculos, eu não conseguia melhorar. Eu sentia que não podia errar, não com as pessoas que me importo de verdade, e eu faço isso há tanto tempo que eu não sei lidar com isso, como lidar com a possibilidade de alguém que você ama te deixar por um erro seu?
Percebi que todas as crises vinham com uma culpa gigantesca e só agora que percebi que a ansiedade vem junto nessa. Ficava ansiosa só de pensar em minha família se cansando de mim, dos meus amigos cansados de me ver sempre mal e tudo isso me fazia me pressionar num tanto que nem eu sei. Eu tinha que estar bem, olha a vida que eu tenho! Não posso reclamar, não posso ficar triste, não posso ter depressão, não posso. Parecia que cada erro meu era somado, eu não podia errar ou eu estaria de fora da vida das pessoas, é essa a sensação.
Talvez se eu aceitar que é normal eu me sentir sozinha, triste, ter ciúmes, raiva até com as pessoas que eu amo e perceber que não é culpa de ninguém - já que é do ser humano sentir várias emoções, positivas ou negativas -, talvez eu consiga me desculpar comigo mesma. Talvez assim eu consiga olhar meu sentimento de longe sem me afogar junto com ele. E entender que é humano errar, alguns erros são perdoáveis sim e sempre há uma nova chance de acertar de novo.
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