04 julho 2016

Ansiedade e o futuro. E agora?

Há! Quem devia estar fazendo coisas da faculdade mas está fazendo outras coisas? Euzinha. Mas juro que tenho bons motivos. Não sei em que época você está mas atualmente, nesse dia 04 de julho de 2016, estamos passando por muitas coisas em câncer na casa 12. Tá, mas o que isso significa? Significa que é hora de ficar brisando e pensando na vida, ou seja, significa que tá batendo a bad. Pensar no futuro não precisa ser algo doloroso mas, na maioria das vezes é, e está começando a ficar pra mim. Essa minha mania de ir procurar saber em que lua estamos, o mapa astral atual e ler previsões do tarot, é uma das minhas tentativas de tentar segurar as rédeas da minha vida, entender pelo menos um pouco o que tá acontecendo, sabe? Me faz ficar um pouco menos medrosa ao ver que estou mais melancólica que o normal porque o sol e mil outros planetas estão em câncer.

Desde que entrei na faculdade - três semestres atrás -, eu nunca passei pelo que estou passando agora. E isso bateu um pouco de pânico, confesso. Três semestres e foi aí que percebi que eu ainda era apaixonada por outro curso. Tá, eu sempre soube que eu sempre seria apaixonada pelo curso X mas, pela primeira vez, a ansiedade bateu. Falta 5 semestres e eu já queria (e não queria) que estivesse acabando o meu curso atual. Quero saber o que vai acontecer, quero saber com o que vou trabalhar, quero saber se estou indo no caminho certo, quero saber mas também não sei se quero ter tanta certeza assim do futuro. E aí, será?

Eu já tinha uma ideia de que isso já tava acontecendo mas só hoje que bateram na minha porta e eu só consegui dizer "Opa..." Acontece que eu percebi que estou indo por um caminho beeem diferente do meu grande sonho, e agora que já estou correndo por esse caminho, só consigo falar um "epa" e continuar correndo. Aí fica a dúvida - como se eu já não tivesse várias, como dá pra perceber no texto -, o que fazer com isso agora que eu percebi isso? Na real? Sei lá. Eu to fazendo um curso Y, quero fazer um curso X e trabalhar com Z, apenas, e ainda quero ter tempo de estudar bastante sobre aqueles outros assuntos que me interessam bastante, apenas aquelas outras letras do alfabeto.

Pois é. Por isso eu tô aqui. Puro desespero. Mil coisas para se fazer mas acho que foi essencial tirar as preocupações que eu não posso fazer nada a respeito da cabeça, isso só faz a ansiedade aumentar. Mas sabe o que percebi depois de ter colocado o meu dedo na garganta?

  1. Se preocupar com coisas que não podemos controlar só atrapalha. Ei, a vida tá acontecendo agora, tá ouvindo esses sons? Sentindo esses cheiros? Sentindo essas emoções?
  2. Você não precisa seguir o caminho tradicional em busca dos seus sonhos. Tá, parece óbvio tudo o que tô falando mas na prática, quando me vi fora do caminho comum, me senti perdida. Eu não preciso, necessariamente, cursar jornalismo ou letras para ser escritora, não preciso fazer curso de escrita criativa ou fazer faculdade, posso já escrever muito bem ou aprender sozinha. E há ainda muitas outras possibilidades a serem exploradas.
  3. Se pensarmos com carinho, dá até pra juntar seus gostos e encontrar um trabalho com ambos. Eu gosto de coisas muito aleatórias e parecem que não tem nada a ver uma coisa com a outra mas, com um pouco de criatividade eu consigo combinar as coisas que gosto para trabalhar com algo legal. Posso fazer duas faculdades que parece que não se complementam e acabar trabalhando com algo em que eu possa usar o conhecimento das duas.
  4. Só vamo. Eu queria muito escrever, mas precisava ler um texto e também não tinha certeza do que escrever, e no blog eu queria postar só coisa legal e blá blá blá. Minha cabeça inventou mil desculpas mas, mesmo assim, meu coração praticamente gritou um "só começa a escrever" e eu fui. E parece que eu tirei um caminhão das costas. Seguir mais o caminho do coração e do amor e menos do medo~ anotado.
  5. Tudo bem não fazer sentido no começo. Eu comecei esse texto pensando mil coisas e eu não sabia como colocar em palavras tudo o que sentia, não sabia nem por onde começar, mas fui seguindo o que eu sentia vontade de fazer. Eu tenho certeza de que se fizermos as coisas com muito amor, tudo fará sentido, tudo vai se encaixar, tudo vai ficar bem, de alguma forma. Até agora pode ser que o texto esteja bem confuso pra muita gente, mas sei que ele vai fazer total sentido, nem que seja pra uma pessoa só.
E aí, eu te convido! Que tal fazer o seu coração levitar ao pensar no futuro? Sonhar é bom, mas querer planejar cada passo da sua jornada e ficar preocupado em seguir um script inventado, não é tão legal assim. Só vamos, gente! Um brinde e um beijo~

29 abril 2016

Nunca me acostumei com o adeus



"Eu sei que preciso ir embora, mas não tem como ficar mais um pouco? Quero continuar aqui até chegar o outro dia..." Em reuniões de amigos, eu prefiro não perder nenhum momento, por isso que é necessário ser o último a se despedir. Mas isso também significa ser o último a dar adeus àquelas lembranças. Significa ver todo mundo indo embora. Significa querer desesperadamente que aquele presente nunca se torne passado. Mesmo que eu não queira ser a última, o destino acabava me deixando para trás, e eu sempre tinha que esperar até chegar a minha hora de me despedir também. Desde criança sofro com isso, me acostumo rapidamente com as situações mas me desacostumo o mais lentamente possível. Deu pra entender? Eu também não entendo. Eu sentia saudade até da pessoa que eu sempre via no supermercado, da recepcionista do hotel, e de inúmeras pessoas que nem o nome eu sei.

A vida tenta, desde sempre, me ensinar a lidar com despedidas, mas já era de se esperar que eu não aprendesse direito. Nunca fui lá muito inteligente, até demorei pra entender o que se passava aqui dentro. Agora eu sei que eu sou mais apegada aos momentos do que a maioria das pessoas. Sou eu quem normalmente começa aquela conversa com "lembra daquele dia?". Sou eu quem sempre fala do passado e que também adora mostrar fotos antigas. E, desde que me conheço por gente, eu já entrava em um estado de transe, em que a única coisa em que eu conseguia pensar e sentir era que aquele momento era o mais maravilhoso do universo, e que aquilo não podia acabar.

Mas acabava. Mais cedo do que eu imaginava. E aí eu tinha que ir pra casa. E aí eu tinha que fazer tudo que pudesse para guardar todos os detalhes na minha memória, todas aquelas sensações, os sentimentos, as emoções das pessoas, as falas, os pequenos detalhes de tudo. Eu tentava me agarrar às cartas e à escrita, mas ainda assim, havia tantos pedaços de memórias que acabavam escapando que era necessário me agarrar à tudo que pudesse. Fotos, vídeos, mensagens, cartas - de repente, me vi entupida de meios que ativassem minha memória. Isso retarda o processo de esquecimento, mas parece que nunca vai conseguir alimentar suficientemente todos esses meus sentimentos.


Por isso eu continuo. Até escrevo com mais frequência, não quero perder nada, tenho muito medo. Sempre fui muito medrosa, tinha medo de ter medo. E eu não conseguia confiar nas coisas boas, na verdade, até hoje eu duvido. Quase duas décadas de idade e ainda assim eu tenho medo de uma garotinha de dois anos. Não é legal ser tão medrosa assim. Não é nada legal mas, isso me faz querer captar cada detalhe de cada momento, quero conseguir sentir e captar todas as demonstrações de amor por mim, não quero deixar de lado nem um "oi, tudo bom?". Por que, se pararmos para pensar, isso não é incrível?

Inúmeras e inúmeras vezes fui para casa repassando tudo o que vivi até aquele momento. Inúmeras foram as vezes também em que eu estava exausta, mas me recusava a fechar os olhos, era aquele medo de novo. Medo de perder algo, medo de não ter sido real, medo de me perder das pessoas e de mim mesma. Às vezes, não consigo dormir até registrar isso de forma escrita, assim, eu poderia consultar todas aquelas memórias sempre que quisesse. Eu não queria virar a página, não queria que o dia terminasse e que o "hoje" se tornasse o "ontem", e que depois, se tornaria "aquele dia" e que depois virasse um dia em que eu já nem sei mais qual era.

E é por isso que eu estou escrevendo esse post agora, eu não quero perder esse sentimento. Até os sentimentos mais dolorosos eu tenho dificuldade de me despedir. Quem se apegou ao sofrimento fui eu, e não ele à mim. Eu não queria esquecer de como era sentir algo, principalmente de como era se sentir engolido por sensações ruins. Eu guardei dentro de mim um lugar em que me dizia que não posso me esquecer dos tempos ruins, para que eu consiga sentir tudo de horrível de novo e assim, conseguir evitar fazer as pessoas se sentirem do mesmo jeito que me senti.


Mas eu me esqueço, eu me perco, e eu fico presa. Não há como evitar. Eu já estou tentando viver mais e registar menos. Eu sei que o que eu me lembrar já é o bastante, e isso não quer dizer que eu me esqueci completamente das outras lembranças ou que eu as abandonei. Mas eu também sei que ainda vou chorar muito de saudade até que eu consiga entender completamente isso. E eu sei que tá tudo bem, mesmo me sentindo sozinha enquanto todo mundo segue em frente, muitos acabam voltando, em um sentimento de nostalgia. É como receber seus amigos que voltaram à sua casa, depois de estarem fora por muitos anos. Ao conversarmos, eu vou saber que vai ser a minha hora de partir. E eu sei que um dia eu terei que virar uma página, subir um degrau, e mudar de casa, onde todas as minhas caixas de memórias não vão caber. E aí, eu espero ter me acostumado com o adeus.